Permitam-me que inicie esta cerimónia, apresentando, em representação da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Serpa, os mais respeitosos cumprimentos:

  • Ao Sr. Presidente da Assembleia Geral, e através dele, aos restantes membros dos órgãos sociais
  • À Sra. Vereadora, Dra. Isabel Estevens, minha cara amiga
  • Ao senhor deputado
  • Ao Sr. Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, estimado Dr. Manuel de Lemos
  • Ao Reverendíssimo Bispo da Diocese de Beja, D. António Vitalino Dantas, sempre tão disponível para as Misericórdias….
  • Ao reverendo Padre José Alberto
  • Às Senhoras e senhores convidados, representantes de outras entidades….
  • Às nossas queridas voluntárias…
  • Às irmãs e irmãos aqui presentes….


Minhas senhoras e meus senhores….

Agradeço a presença de todos na partilha deste momento simbólico. Creiam que a vossa presença, empresta uma maior solenidade ao acto, conferindo-lhe um reforçado carácter responsabilizante.

Há mais de 500 anos, que a Santa Casa da Misericórdia de Serpa, Instituição secular, fundada por D. Manuel I, em carta régia, datada de 1505, a pedido de um grupo de serpenses da época, está ao serviço dos mais vulneráveis deste concelho. Trata-se de uma das Misericórdias mais antigas de Portugal e, se a memória do passado nos honra e nos compromete, o presente e o futuro são agora mais desafiantes.

Quando esta equipa iniciou o primeiro mandato definiu um novo projecto para esta Santa Casa, assente em valores cristãos e de solidariedade, no propósito de servir o próximo. O plano estratégico delineado passou, na sua execução, por colocar esta Instituição no lugar de destaque, que a sua acção e a sua história lhe confere, constituindo-a como um dos polos dinamizadores deste concelho, geradora de mais emprego, numa zona geográfica marcadamente deficitária.

Alargou, assim, o seu campo de intervenção, no caminho da inovação e da excelência, promovendo respostas adequadas aos desafios emergentes no contexto societário, em que nos movemos, sem nunca perder de vista a sustentabilidade da Instituição.

 

Vivemos numa crise económica mas, também, numa crise de afectos e, se atentarmos na história, a dinâmica destas instituições cresce, infelizmente, nestes momentos de crise e precaridade, substituindo-se ao estado, no apoio às famílias e aos mais vulneráveis.

As contingências da vida, bem como as imperfeições e insuficiências da organização económica e social, lançam muitas pessoas para a margem da sociedade, para a pobreza, para exclusão e para solidão, esta última considerada como um dos flagelos da humanidade. É, essencialmente, para estes que existimos, conferindo-lhe a satisfação das suas necessidades e a dignidade que merecem.

A ação da Santa Casa da Misericórdia de Serpa tem vindo em crescendo. Na vertente social, gere um lar com 102 residentes, uma rede de apoio domiciliário com capacidade para 60 utentes, que queremos expandir a Santa Iria e Vales Mortos e, ainda desenvolve projectos de intervenção comunitária, nomeadamente, uma lavandaria social, um banco de ajudas técnicas e um gabinete de inserção profissional, de apoio a desempregados e empresas, em parceria com o IEFP.

Numa lógica de encontrar respostas humanizadas, neste tempo novo, a Santa Casa da Misericórdia de Serpa, acolheu na área da saúde, novos projectos, reassumindo o papel primordial da sua fundação de cuidar dos enfermos…. Era esta a atividade principal, aquando da sua fundação, funcionando primeiro na Rua de Nossa Senhora e, depois, no Convento de S. Paulo, atual Hospital de S. Paulo, pertença desta Santa Casa.

Integrou, em 2013, a Rede de Cuidados Continuados, com duas unidades de cuidados continuados – de média e longa duração, com um total de 30 camas e um espaço, num novo equipamento para o desenvolvimento de um programa assistencial, na área social e da saúde, tão necessário à população deste concelho.

Nesta lógica de interação com a sociedade que serve, a Misericórdia assumiu, no final de 2014, um novo desafio - a gestão do hospital de S. Paulo. No cumprimento da sua missão, a Misericórdia não podia, não devia virar as costas a este projecto, pese embora a sua complexidade.

Passou a gerir mais duas unidades de Cuidados Continuados, instaladas no primeiro andar do edifício – 16 camas de Convalescença e 8 camas de Paliativos.

No rés do chão, funciona o Serviço de Urgências, 24 horas….oferece, ainda, consultas nas especialidades de oftalmologia, ortopedia, fisiatria, cardiologia e dermatologia. Ao longo deste ano, construir-se-á o bloco operatório para intervir nas áreas previstas em acordo - de oftalmologia, ortopedia e dermatologia.

 

Temos consciência do trabalho e das dificuldades que enfrentamos, mas com humildade, cremos que Deus nos ajudará, guiando a nossa acção.

Para tal contamos com o apoio institucional, com os nossos parceiros, com os nossos colaboradores e com o afecto dos voluntários, que amenizam o dia-a-dia daqueles que servimos. Todos seremos poucos para levar por diante as catorze obras de Misericórdia.

 

Termino com uma mensagem de esperança - acreditamos que o fim último de uma política social é o bem-estar da população e, é para isso que trabalhamos.

 

Que o manto da Senhora das Misericórdias nos cubra com as maiores bênçãos, no exercício das funções que ora iniciamos.